Kaoani Cat

15/11/2025

Clinical trial (Spoilers!!)

Traduzi (Não ficou tão bom, mas quebra o galho) textos que os fãs de Clinical Trial escreveram. Mega post com observações, interpretações e teorias do jogo. 



Defendendo o final que Angel aceita o Lee

Tradução:

Ok, eu tenho visto muitas discussões sobre o "Final Verdadeiro" de Clinical Trial, eu queria dar a minha opinião sobre isso. 

Eu sei que muitas pessoas não gostaram do tom leve e mais feliz do Final 2 e dele ser o Final Verdadeiro, e sentiram que isso absolveu o Lee de qualquer consequência e apenas colocou o Angel em uma posição perigosa e horrível, isolado com um assassino, e argumentam que isso vai contra todo o ponto do jogo… Mas eu simplesmente não vejo dessa forma. Para mim, o Final 2 reforça alguns dos temas centrais do jogo envolvendo consentimento, neuro divergência e negligência social.

Embora eu ache que o Lee pode ser manipulador (ESPECIALMENTE na rota Reject) e constantemente esconda coisas do Angel, eu acho que a rota Accept que leva ao Final 2/o Final Verdadeiro é um produto da própria personalidade do Angel tanto quanto o Final 1. Embora Angel escolha inicialmente perdoá-lo pelo altar, Angel não descarta ou minimiza o que Lee fez. Embora exiba alguns padrões de pensamento não saudáveis (A ideia que Angel tem de achar que nunca alguém prestaria tanta atenção nele. É uma crença absolutamente alimentada por auto-ódio) Que poderia contribuir para o perdão, ele não deixa isso cegá-lo para o quão ferrado foi o que o Lee fez. Não é uma situação de “Uau, você não fez nada de errado. Vamos namorar!”. É uma situação de “Você errou feio e me machucou, mas eu estou disposto a te dar outra chance, se você mudar para melhor”.


Angel:
“É estranho. É um comportamento desesperado.”

Angel:
“Se você só me tratar como uma pessoa normal daqui pra frente, isso não precisa ser um problema”

Angel:
“Mas se você só conseguir se acalmar um pouco, eu acho que isso ainda pode funcionar.”

Angel:
“Você vem com muita intensidade, muito rápido, Lee.”

A mesma coisa com a revelação do assassinato. Angel não minimiza o quanto está chateado para agradar Lee. Mesmo quando ele reconhece que Lee matar o Brandon provavelmente impediu que Brandon machucasse futuras vítimas, já que ele tinha feito isso antes e provavelmente não iria parar, Angel reconhece que o Lee não sabia disso quando o matou. Angel é consistentemente capaz de expressar suas queixas e apontar o erro nas ações do Lee, e é por isso que eu me sinto confortável afirmando que o relacionamento do Lee e do Angel, por mais ferrado ou não saudável que seja, não é abusivo, porque Angel sempre consegue expressar seus problemas com ele, e ele está mais do que disposto a ouvir.

Angel:
“Eu não queria isso. Eu não pedi por isso.”

Angel:
“Você agiu contra a minha vontade depois que eu deixei claro para você o que eu queria.”

Angel:
“Mas você não sabia disso, né? Antes?”

Angel:
“Ok, mas você me ferrou pra vida inteira. Certo?”

O jogador, que por extensão, Angel, também recebe explicitamente a escolha de perdoá-lo ou não com ambas as revelações (eu especialmente gosto que Angel tenha a escolha de basicamente desistir do relacionamento, mesmo depois de aceitar o altar, após a revelação do assassinato), destacando sua autonomia. Sim, você pode absolutamente argumentar que a decisão do Angel de perdoar o Lee duas vezes provavelmente é influenciada por sua solidão e necessidade de conexão, e isso torna o relacionamento um pouco não saudável, mas de novo, eu não acho que seja abusivo.

Eu também quero apontar que mesmo na rota Accept, Angel dá condições ao Lee. Angel não o aceita de qualquer jeito. Angel quer que ele realmente o ouça.


Angel:
“Uma condição, porém.”

Angel:
“Se a gente realmente fizer isso funcionar, e eu… ficar na sua vida… você vai ter que mudar.”

Angel:
“E eu tenho outra condição.”

Angel:
“Me diga agora mesmo se você está escondendo mais alguma coisa.”

Angel:
“Eu não aguento mais nenhuma surpresa. Por menor que seja. Eu to falando sério.”

Angel:
“Você promete?”

Eu acho que a decisão final do Angel de perdoar o Lee não é apenas para namorar com ele, é para dar a ele outra chance de se tornar uma pessoa melhor, mais completa. Uma grande parte do jogo é sobre como a sociedade (o sistema educacional e o sistema médico) tende a falhar com pessoas neuro divergentes, especialmente aquelas que mais precisam de ajuda. Angel e Lee literalmente se conectam pelas diferentes experiências de neuro divergência (ou neuro divergência implícita no caso do Lee) e como, no fim das contas, a sociedade falhou com ambos (com nenhum dos dois conseguindo sucesso da maneira que queriam porque o sistema não foi feito para pessoas como eles).

Também há as menções e implicações recorrentes de punições passadas que podemos observar através de alguns diálogos do Lee. Ele é canonicamente um ex-mórmon, que provavelmente foi constantemente punido (e abusado) por qualquer erro (alguns dos quais podemos assumir que podem ter vindo de traços da neurodivergência dele, já que não é incomum crianças autistas serem mal compreendidas e maltratadas). Da mesma forma, sabemos que Angel sofreu algum nível de abuso físico e maus-tratos na escola na tentativa de “corrigir” sua canhotice, e mesmo assim é implícito que isso é só um exemplo do abuso que sofreu do sistema educacional.


Lee:

“Eu fiquei com medo no começo, mas a punição pelo meu medo foi o que criou um complexo.”

Angel:
“Eles tentaram me ‘consertar’ na escola primária.”

Angel:
“Amarravam minha mão esquerda atrás das costas e batiam nela com uma régua se eu usasse.”

Tanto Lee quanto Angel sabem como é ser punido e machucado depois de mostrar uma “fraqueza” ou cometer um erro. Ambos foram feridos pela ideia de que punição é necessária para melhorar uma pessoa, e é por isso que acho a rota Accept tão poderosa. Eu vi muitas pessoas reclamarem que o Lee não vai para a cadeia ou não enfrenta consequências “tangíveis”, mas, da maneira como eu vejo, a prisão o deixaria pior e removeria qualquer chance que ele tem de se curar. Por mais ferradas, ilegais e culposas que sejam suas ações, elas ainda são parcialmente um produto de sua criação e da falta de apoio e terapia. Ele menciona especificamente que nunca foi à terapia para poder conseguir o emprego. Lee é parcialmente um produto de uma sociedade não acolhedora, tanto quanto Angel. (Também eu poderia falar por horas sobre como a criação mórmon provavelmente distorceu completamente sua visão de como relacionamentos deveriam funcionar e provavelmente o fez achar que amor tem que ser na forma de devoção.)

Da forma como eu interpretei, Angel não foi coagido a ficar com uma pessoa perigosa e prejudicial. Angel vê partes de si mesmo no Lee e está dando ao Lee uma chance que nenhum dos dois jamais teve na vida. Eles estão criando uma nova vida juntos onde erros e falhas não são instantaneamente recebidos com punição ou dano. Sim, Lee errou horrivelmente, violou sua confiança e ignorou seus desejos, mas ambos estão dispostos a reconhecer isso e trabalhar nisso porque talvez, pela primeira vez, um deles esteja sendo autorizado a errar sem enfrentar uma “punição” abusiva depois. Talvez, pela primeira vez, um deles esteja sendo autorizado a errar e receber espaço para crescer e melhorar. E talvez, pela primeira vez, Angel possa escolher como quer que sua vida siga.

Não, a maioria das pessoas provavelmente não faria as mesmas escolhas que o Angel, mas ainda assim é uma decisão de Angel para fazer. Sim, é provavelmente influenciado por sua solidão e trauma pré-existentes. Sim, Lee teria que trabalhar muito para mudar e isso levará tempo, e é provável que sempre haja algumas crenças não saudáveis com as quais ele vai lutar. Sim, o relacionamento de Lee e Angel está longe de ser convencional ou completamente saudável, mas caramba, eu acho que eles estão dando um ao outro espaço para descobrir isso juntos e sei lá, tem algo bonito nisso para mim.

Eles são ambos muito mentalmente doentes, mas estão tentando, e tem algo nisso que eu acho estranhamente reconfortante. A maioria das mídias com o tropo yandere nunca realmente deram a opção do personagem yandere tentar refletir sobre suas ações e talvez aprender maneiras melhores de lidar com as coisas, e honestamente eu tinha tanta certeza de que ambos os finais envolveriam alguém morrendo de alguma forma porque esse tipo de história geralmente não termina bem. Normalmente, depois de certo ponto, um personagem é apenas retratado como “demais” longe demais, mentalmente doente demais, ferrado demais e além de salvação. Eles geralmente morrem de uma forma trágica ou poética (exemplo: Final 1). Mas Angel olha para o Lee e para suas ações e decide dizer “que se dane isso”. Angel toma a decisão de dar ao Lee outra chance mesmo depois do que ele fez porque não o vê como irredimível. Eu simplesmente gosto muito da forma como os dois conseguem viver no final e fazer uma vida melhor juntos e o que isso diz sobre pessoas neuro divergentes e mentalmente doentes.



(Teoria) Por que Lee fez um altar para Angel:

“Você acha que o Lee só fez o altar dedicado ao Angel porque a única maneira que ele aprendeu a amar algo foi devotando-se e ajoelhando-se diante de um fragmento de falsidade? Então isso pareceu o mais natural para ele. É como uma igreja, e Angel é um anjo afinal de contas. Algo sobre o banimento normalizado de não-crentes e pecadores que levou ele a eliminar o Brandon sem pensar duas vezes.”


Sobre as fanarts do Angel na forma de um anjo de asas e aureola.
 @Bluisbeingstupid comentou:

“Quando eu vejo alguém desenhar Angel Martinez como um anjo, é só aureola e asas.
Mas e se, em vez disso…
A gente desenhasse eles mais eldritch (estranhos, cósmicos, incompreensíveis), por causa daquela conversa entre Lee e Angel falando sobre anjos”

Lee:
“Se anjos existissem, eles provavelmente não se pareceriam com homens e mulheres de túnicas brancas.”

Angel:
“Tipo, você quer ficar preso nesse corpo pela eternidade? Sério?”

Lee:
“Eles deveriam ter formas que o humano médio teria dificuldade de compreender.”

Angel:
“É. Sim. Etéreas, ou assustadoras, ou ambos.”

Lee:
“Eles deveriam inspirar admiração naqueles que conseguem apreciá-los como são.”

Esse dialogo também cabe a interpretação de que Angel não se vê nem como mulher nem como homem. 



Por que não referir Angel no feminino:

Ambas as contas Clinical Trial (fanart) e Clinical Trial (game) são do dev/criador do jogo.

Aqui o criador do jogo comentou que o Angel não gosta de se ver no espelho. Faz sentido já que ele tem baixa auto estima, e provavelmente disforia de imagem e de gênero. Ele não se identifica com o gênero designado ao nascer.


O cartão de Angel com o nome rasgado:


Explicaria o motivo da mãe de Angel não querer mais falar com ele:

Celular:
Angel: 
como tá a mãe?

Irmão:
dramática

Irmao:
ainda não quer falar com você

Irmão:
e tá descontando isso na gente

Angel
:
desculpa

Conversa com Lee:

Angel:
“Embora minha mãe não fale mais comigo. Então isso é mais uma coisa pra acrescentar à pilha.”

Esses diálogos:

Angel:
“Eu queria ter nascido como outra coisa. Algo selvagem.”

Angel:
“Eu faria parte de um sistema maior de outros que estivessem instintivamente na mesma sintonia que eu.”

Angel:
“Eu não fui feito para a vida familiar, um carro só, oito faixas de rodovia.”

Angel:
“Parece que eu não fui feito para ser humano, afinal.”

Angel:
“Quando eu penso em outras formas de existir, eu só sinto essa sensação interna de paz.”

Angel:
“Quando eu penso no meu corpo e no meu cérebro configurados de forma diferente…”

Lee:
“Você é Angel Martinez.”

Lee:
“Seus documentos legais dizem algo um pouco diferente, mas você não contou isso para seus colegas de trabalho.”

Lee:
“Outros reagiram mal, então você desistiu de tentar mudar de nome com pessoas que já te conheciam.”

Lee:
“É mais fácil deixar assim do que lidar com a forma como eles podem reagir.”




Teorias sobre a idade do Lee e Angel
O @Sketchami e os amigos dele fizeram a linha de tempo pra determinar a idade do Lee.

Resumo:
1980 – Lee nasce
1987 – Angel nasce
1998 – Lee completa o ensino médio
1999–2001 – Angel, supostamente, tem 12–14 anos ou “quinceañera”
2001–2004 – Angel no ensino médio (com possibilidade de repetência)
2005–2007 – Angel conclui o ensino médio
2007 – Angel entra na faculdade
?? – Angel abandona a faculdade
2008 – Lee faz mestrado 
2008 – Lee compra a casa
Jan–Fev de 2009 – Começo do jogo
2009 – Onde ocorre o cenário de Clinical Trial




-Angel precisa ter no mínimo 18 anos de idade porque essa é a idade mínima para participar do ensaio clínico. Angel nasceu em 12 de fevereiro de 1987, então é impossível que o jogo aconteça antes de 2005, já que Angel completa 18 anos em 2005.


-Angel provavelmente se formou no ensino médio nesse mesmo ano. Estudantes do ensino médio nos EUA normalmente se formam no verão e, como Angel não mencionou ter tirado uma pausa, Angel provavelmente entrou na faculdade no semestre de outono daquele ano.


-Angel mencionou que ficou na faculdade por um ano e meio, o que poderia ser interpretado como três semestres e meio. Isso significa que Angel provavelmente esteve na faculdade durante o outono de 2005, primavera de 2006, outono de 2006 e largou o curso durante a primavera de 2007. Angel teria feito 20 anos durante esse período.


-O celular do Angel se parece com um Mobile G1 HTC Dream, ou com o primeiro celular da Samsung, lançado no começo de 2008. Assumindo que o celular do Angel é o equivalente inverso disso, isso faria o Angel ter potencialmente 21 anos.



Como Lee se livrou do carro de Brandon e foi trabalhar no dia seguinte:

Lee: 
''O carro dele está a 100 milhas para o leste e 30 pés de profundidade na água, com as placas removidas e o número de identificação raspado.”

A resposta do Dev:
“Ele pega ônibus até o local de trabalho do Angel para o carro dele não ficar em nenhum lugar perto da cena. Usa o carro do Brandon para sequestrar ele, leva o Brandon para a casa dele, dirige o carro para o leste depois, pega um Greyhound (ônibus intermunicipal) ou talvez táxis em parte do caminho para voltar. Algo assim. Tenho certeza de que foi uma noite extremamente longa.''


       




















Alguns fatos sobre o jogo mas que não foram incluídos
(Tirado do twiter/X do dev)
''Os colegas de quarto do Angel estavam em uma relação aberta e usavam o Angel para provocar ciúmes um no outro. Eles não respeitavam os sentimentos do Angel, flertando de brincadeira mesmo sabendo que Angel não gostava disso.''

''Lee comprou uma caminhonete de dois lugares porque ele conheceu um homem da igreja que tinha uma e todos da igreja pediam ajuda para o homem carregar coisas na caminhonete. Lee queria ser útil igual esse homem, mas Lee não entendeu que você não cria laços só imitando o que vê''

''Angel prefere dormir junto de alguém. Ele dormia com irmãos e amigos até a adolescência e se sentia mal na faculdade por não ter mais isso. O calor, o cheiro e a presença do Lee em um ambiente aconchegante faz Angel dormir bem rápido.''

''Angel está pegando um pudim caseiro que ficou na geladeira esfriando durante a noite.
Angel toma pelo menos duas bebidas com cafeína por dia.
Lee ainda segue, em grande parte, a proibição da sua antiga fé de consumir qualquer cafeína.''
''Lee sabe que sempre que os dois entram na caminhonete para resolver coisas, Angel vai perguntar se podem comprar alguma bebida com cafeína e/ou algum lanche açucarado em algum momento durante o trajeto. Lee adora dizer ‘sim’ para o Angel.''
''Às vezes Angel toma um café gelado vietnamita e depois fica totalmente focado em uma arte pelas próximas 8 horas.
Às vezes Angel pega uma bebida no Starbucks, dá dois goles e esquece dele.
Às vezes Angel vira um Red Bull e ainda assim consegue tirar um cochilo depois.
Que mente linda.''

''Essa arte originalmente mostrava o Lee usando óculos de leitura. Eu tirei no último segundo porque ele não usa óculos no jogo, mas isso é uma fantasia que se passa no futuro. O pai do Lee usa óculos e tem a visão péssima.
É só uma questão de tempo para o Lee também.''

''A visão do Angel já é ‘não muito boa’.
Um oftalmologista definitivamente está na lista de especialistas que Angel deveria estar consultando, mas ele vai adiar marcar essa consulta pelo maior tempo humanamente possível, a menos que alguém intervenha.''
















Enfim... Eu acho que esses dois são um casal fofo

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